sexta-feira, 11 de Julho de 2008

Sangramento

Escrevo e sangro,
O sangue jorrando do peito.
Minhas palavras escorrem, e sangro...
Assim de meu jeito.

Longo vai o tempo,
Aquele que partiu para não mais voltar,
O tempo...
O tempo de amar.

Corro por caminhos de frases,
Feitas, languidamente escorridas,
Loucas, mordazes,
Em linhas perdidas.

Sou quem fui,
Quem escrevo...
E disto que flui,
Esquecer-me devo.

Alexandre Albuquerque

quinta-feira, 15 de Maio de 2008

Pouco sou poeta

Ultimamente,
Pouco sou poeta.
Pareço mais um profeta...
Tentando predizer o que o futuro faz.
Tentando perceber o que o passado fez.

Ultimamente,
Pouco sou poeta.
Pareço mais um pateta...
Que não sabe onde está, nem onde vai.
Que não entende o que vê, nem o que é.

Ultimamente,
Pouco sou poeta.
Pareço mais um atleta...
Mas daqueles que corre por correr.
Mas daqueles que vive sem querer.

Ultimamente,
Pouco sou poeta.
Pareço mais uma seta...
Que é disparada para todo e qualquer lado.
Que é perdida sem objectivo delineado.

Ultimamente,
Pouco sou poeta.
Pareço mais um poeta...
Com pouco mais que uma meta,
Mas que já sabe aonde ir.

N/A: Saiu com uma boa dose de repetição, mas até gostei do resultado final.
Firiten

domingo, 27 de Abril de 2008

Caravela de meus sonhos

Caravela que teimas em vingar
Nesse mundo de sonhos,
Tão cruéis, tão medonhos,
A que a terra chama mar.

Gigantes marinhos,
Feras submersas,
Donos dos caminhos
Que amaldiçoam promessas.

O mar, cruel,
De humano tem um pouco,
Em suas emoções de fel,
De triste, de bravo, de louco.

Espelho de céu, jazida profunda,
Cemitério de vida,
Plataforma fecunda,
E guardião de uma saudade perdida.

Chora de tristeza,
Beija todas as costas,
Com frieza.
Não conhece amor.

Caravela de meus sonhos afunda-te...

Afunda-te, quebra-te em dois,
Desce gentilmente,
Abraça o fundo, e depois,
Ama-o finalmente.

Alexandre Albuquerque

sábado, 29 de Março de 2008

Doubts

Ever wondered about the future?
Ever thought about your life?
When everything seems so dificult
Will it ever be alright?

In this world of many choices
Did I follow the right signs?
Always heard a lot of voices
Arguing on the bluest skies...

Yet expecting for some guidance,
Yet yearning for some light
As this world seems so hollow
Can we ever end this fight?

Some lies hidden in silence,
Or else, so many peace...
Let's lose the illness of vengeance
To see the truth underneath.

Again am I giving up?
Or am I still going down?
Searching for the best setup
To be a king without crown.

N/A: Late as always. Dia Mundial da Poesia ~ 21/03.
Firiten

quarta-feira, 5 de Março de 2008

As árvores morrem de pé.
Justas, verticais,
A vida como é...
Apenas e só, nada mais.

Sou como elas;
Não temo ventos,
Tempestades, aguarelas,
Tanto mais, tristezas e tormentos.

Sou como elas.
Assim nasci, assim me criei;
Apenas eu, como elas,
Como nasci, assim morrerei.

Alexandre Albuquerque

sábado, 9 de Fevereiro de 2008

Noite

Noite escura e ilusória,
Que me envolve, me inspira,
Longa é a memória,
Do dia quente, noite fria.

Noite vaga mas palpitante,
Sítio do incerto e do desconhecido...
Receosa, obscura, refrescante,
Livro que julguei ter lido.

Noite, estranha noite,
Que teimas fugir do dia:
Mostra-me que o silêncio e o som,
Co-habitam em harmonia.

Oh Lua tu que navegas,
Nesse mar negro e sonhador...
Forte, branca, lusidia,
De antigo e efermo explendor.
Mostra-me onde está a passagem,
Para em ti navegar,
Provar que não és miragem,
Que és mais que um olhar.

Noite, sábia iluminada,
Qual o segredo em ti encerrado?
Pó brilhante na face,
E um olho abençoado?

N/A: Outro que já esteve no NoIdea e portanto já tem uns anos.
Firiten

segunda-feira, 14 de Janeiro de 2008

Paz de minha vida

Paz de minha vida,
Como uma peça despida,
Se esvai por mim abaixo
E bate no chão.

Numa apatia quase perdida,
Esta dolorosa ferida
Sangra e pulsa,
E deita-me por terra.

De pés assentes no chão
E alma num longíquo sertão,
Minha razão voa,
Bem alto, para lá do firmamento.

Como uma brisa solar,
Distante, de amar,
Incandescem sentimentos
Numa euforia distante.

Em pensar que sinto,
Sinto o absinto,
Da alcoolização conciente
De minha mente.

Aqui estou,
Por ali vou,
Caminhando sem rumo,
Neste poema equilibrado a prumo...

Cada palavra,
Uma peça de roupa que lavra,
Meu corpo, minha alma,
Esvoaça, perde a calma.

Inconstante forma
Da velha norma,
Da velha poesia,
E da nova heresia.

Aqui estou,
Por ali vou,
Herege,
Despido.

Alexandre Albuquerque